Nas atividades relacionadas à aquicultura, a água utilizada para o desenvolvimento das atividades deve ser frequentemente monitorada para garantir que não haja perdas na produção.
Em criações de animais, como na piscicultura ou na carcinicultura, faz-se necessário o monitoramento de uma série de fatores que devem estar adequados para a sobrevivência e a manutenção da qualidade dos bichos.
Pensando nisso, a iAqua elaborou esse material com uma série de informações a respeito do controle da qualidade da água e como ele deve ser feito.
O que é o controle de qualidade da água na aquicultura?
A qualidade da água consiste em um conjunto de características biológicas, físicas e químicas que interagem de maneira individual ou coletiva e, na aquicultura, isso faz total diferença no desempenho da produção.
Qual a importância da qualidade da água?
É imprescindível manter a água com uma boa qualidade porque a perda do equilíbrio dos fatores que influenciam nisso podem ocasionar grandes prejuízos ao ecossistema aquático e, consequentemente, perdas econômicas da atividade, morte de animais, diminuição da produção, contaminação do ambiente, entre outros fatores extremamente perigosos para o seu negócio.
Quais as principais características a serem monitoradas?
Entre os principais indicadores que o produtor deve monitorar estão os seguintes:
- Temperatura da água;
Alguns animais aquáticos como os peixes tropicais são pecilotérmicos, ou seja, possuem uma temperatura corporal que varia de acordo com a temperatura do meio em que estão inseridos. Por isso, a temperatura da água é um fator limitante para a produção.
É importante saber quais as faixas de temperatura limite para a(s) espécie(s) que você deseja cultivar e tentar adequar a água para as condições de melhor desempenho para a reprodução e sobrevivência dos animais. Além de, é claro, usar um termômetro para monitorar com frequência essa temperatura.
- Transparência;
Para a sobrevivência de alguns animais também é necessária a penetração da luz, que é responsável pela manutenção do calor e também ajuda no desenvolvimento de fitoplâncton, que é um tipo de plâncton microscópico que flutua tanto na água doce quanto no mar e é capaz de realizar a fotossíntese, tornando-se assim a base da cadeia alimentar em ambientes aquáticos.
Tratando-se da piscicultura, o ideal é que a luz solar ou artificial penetre de 0,4 a 0,8 metros.
Dessa forma, a transparência é um importante fator que influencia na produção e deve ser medida por meio da utilização de um aparelho conhecido como disco de Secchi, que consiste em um disco pintado com faixas brancas e pretas intercaladas, com aproximadamente 20 a 30 cm de diâmetro, suspenso por uma corda com a marcação em centímetros.
- Turbidez;
A turbidez aquática diz respeito aos sedimentos como os sólidos em suspensão (argila, silte, sílica, coloides), as matérias orgânicas ou inorgânicas, os organismos microscópicos, as algas e outros que são arrastados pela água naquele ambiente.
E ela representa justamente a dificuldade que um feixe de luz apresenta para atravessar uma determinada quantidade de água, sendo expressa em Unidades Nefelométricas de Turbidez (UNT) ou em mg/l de Si02 (miligramas por litro em sílica).
O valor recomendado de turbidez para a piscicultura é de 10 a 40 UNT e essa característica da água pode ser medida com a utilização de aparelhos conhecidos por turbidímetro ou nefelômetro, que compararam o espalhamento de um feixe de luz ao passar por uma amostra escolhida com um feixe da mesma intensidade ao atravessar uma amostra padrão.
- Nível de oxigênio;
Essa é uma das variáveis mais importantes pois é basicamente o que determina a sobrevivência ou não dos animais e é medida em miligrama por litro (mg/l).
A quantidade de oxigênio na água depende diretamente de outros fatores como salinidade e é inversamente proporcional à altitude e à temperatura.
Cada organismo aquático possui seu limite máximo e mínimo de tolerância para oxigênio dissolvido (od) no ambiente, por isso é importante saber quais são os limites de sua criação.
Caso esses limites não sejam respeitados, a tendência é que os animais fiquem estressados, doentes e cheguem à morte.
E, para realizar a medição desse nível de oxigênio, utiliza-se um medidor de oxigênio, que deve ser inserido em duas profundidades diferentes (uma próxima ao fundo e a outra mais ou menos na metade da profundidade).
- Nível de dióxido de carbono;
Essa substância está ligada à respiração de algas, de peixes e à decomposição de matérias orgânicas e encontra-se no meio aquático em forma de carbonatos, bicarbonatos e gás dissolvido.
É possível realizar a medição do nível de dióxido de carbono por meio de sensores e medidores, disponíveis para compra no mercado.
- pH da água, também conhecidos como acidez ou alcalinidade;
O pH da água representa o nível de acidez, o qual pode variar de 0 a 14, sendo o nível 7 considerado neutro, acima disso tem-se um ambiente alcalino e abaixo, um ambiente ácido.
Esse fator é influenciado principalmente pelo nível de dióxido de carbono e pela concentração de sais.
De acordo com especialistas, os valores entre 6,5 e 8 são os mais adequados para a criação de peixes e valores distantes disso podem ser mortíferos para boa parte das espécies aquáticas.
E, assim como acontece com os demais fatores, o nível de pH da água também pode ser medido por meio de medidores de pH ou fitas medidoras de pH.
- Nível de amônia;
Quimicamente, a amônia costuma apresentar-se em duas formas no meio aquático: na forma ionizada (NH4+) e não ionizada (NH3) e o equilíbrio entre essas duas formas é regulado pelo pH e pela temperatura da água, ela é consequência da excreção direta dos peixes por meio de suas brânquias, dos adubos nitrogenados e do alimento que não é consumido pelos animais.
Existe uma tolerância para a substância e ela varia de 0,6 ppm a 2 ppm e, quando esses níveis são ultrapassados, pode haver mortalidade dos animais, já que essa substância interfere diretamente na transferência de oxigênio das brânquias para o sangue, podendo causar danos às brânquias e às membranas produtoras de muco, o que acaba por reduzir a limosidade de cobertura externa e danificar a superfície intestinal dos animais.
Por isso, fique atento a alguns sinais como peixes com aparência ofegante, nadando muito na superfície ou apresentando comportamento apático, esses são sinais de que estão sofrendo com envenenamento por amônia.
Uma forma de diminuir a eliminação da amônia na água é optar por rações com maior digestibilidade, trocar parte da água e fazer um monitoramento frequente da água.
É possível medir o nível de amônia de maneira fácil e rápida por meio de um teste disponível para compra nas lojas especializadas e que consiste em medir a amônia presente em uma pequena amostra da água.
Conclusão
Finalmente, vale salientar que esses são alguns dos principais fatores que podem influenciar positiva ou negativamente em sua produção, mas dependendo do tipo de cultivo que você deseja fazer, é muito importante a ajuda profissional para descobrir que outros tipos de influências devem ser levados em consideração.
Lembramos ainda que a iAqua possui boa parte das ferramentas citadas em seu catálogo e caso tenha restado alguma dúvida a respeito do assunto, entra em contato conosco!
Ficaremos felizes em poder ajudar!